O “PROBLEMA” DAS MENSTRUAÇÕES 

Pela Dr." Simone Olander 

Lembro-me de ter 13 anos e surgir-me a primeira menstruação. Tudo surgiu logo pela manhã e ainda me recordo que levei o dia todo dramáticamente vigilante para ver quando é que aquele líquido avermelhado deixava de sair do meu corpo.

Estava em verdadeiro pãnico interior, pois sabia que, no final da tarde, tinha de ir aos treinos do clube de natação do meu bairro e imaginava-me entrar na água límpida da piscina e perseguida por um rasgo de “tinta” vermelha.

Claro que nada disto aconteceu, nadei, nadei, nadei todos os estilos e nada saiu para a piscina e ninguém deu por estar a viver o meu período menstrual.

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Nós, desportistas que corremos, não temos esses eventuais dramas. A corrida, um dos exercícios mais naturais de mobilidade possível para o Ser Humano, naturalmente que não apresenta, em princípio, grandes problemas para as praticantes. Todavia, ainda existem alguns aspetos que convém referenciar e, sobretudo, desmistificar para que a vivência da nossa atividade desportiva seja bem mais agradável e segura.

inseriu outro texto onde se afirmava que existiam ligeiros benefícios quanto à diminuição da dor nas primeiras 24 horas de aplicação na zona lesionada.

E quanto aos atletas sem qualquer lesão, mas que pretendem melhorar o seu rendimento? Neste campo, um trabalho apresentado pelo “Journal of Science and Medicine in Sport”, concluiu que o efeito era nulo, pois não se verificava melhoria, quer no rendimento muscular propriamente dito quer na sua diminuição. No entanto, outro estudo intitulado “Effect of Kinesio Tasping”, concluiu que houve muscular, mas só 24 horas depois da colocação das bandas elásticas.

Da Alemanha, surge a ideia, principalmente para saltadores e velocistas, da colocação de bandas nos músculos mais utilizados por estes atletas, com vantagens quando aplicadas 4 horas antes da competição, o que, para nós, corredores de distâncias, pouco valor terá.

A “kinesiotape” surge ainda com algum valor positivo ao nível psicológico do desportista, funcionando como placebo. Imaginemos que um corredor tem uma pequena lesão muscular, digamos, uma micro-lesão, ao serem colocadas as bandas. Mediante um envolvente explicativo, é fácil entender que haverá tendência para, psicologicamente, começar a sentir melhoras mesmo que no local “nada se passe”.

FAVORECER A CIRCULAÇÃO E REDUZIR A INFLAMAÇÃO

As fotografias dos grandes pelotões de corrida são sempre agradáveis de se ver, à semelhança do que acontece quando observamos atletas mascarados com os mais

diversos motivos. Porém, temos de concluir que, a par de possíveis pontos positivos, no que se refere à circulação sanguínea e redução da zona muscular inflamada, há uma onda de moda no seio da corrida, qual estética colorida capaz de fazer as delícias de qualquer fotógrafo desportivo.

Lembram-se de, ainda há poucos anos, verem atletas com adesivos colados ao nariz? Segundo diziam, essas fitas melhoravam o rendimento dos corredores. Hoje, está absolutamente demonstrado sob o ponto de vista científico que nenhuma melhoria traz ao corredor e, no entanto, milhares de praticantes de todos os níveis, e em todo o mundo, seguiram a moda do “adesivo no nariz”. Agora, começámos a ver um número crescente de corredores alinhando nas competições com coloridas bandas coladas aos músculos das suas pernas, quais pinturas de guerra bem típicas dos índios!

Estaremos perante mais uma moda?

Talvez… pois, caso contrário, não haveria grande razão para terem cores tão coloridas e teriam, como é lógico, uma apresentação visual menos aberrante!

De uma coisa os desportistas implicados na área da corrida devem estar certos. Existe uma crescente onda, em todo o mundo, de novos praticantes, enquanto os “apetites” comerciais das marcas crescem em torno do nosso desporto. Se nos lembrarmos que basta muito pouco material para se ser corredor, tudo o que se invente para aumentar o volume de vendas é sempre enaltecido, quer por hipotéticas vantagens físicas ou quaisquer outras.

Vejamos alguns pontos que causam muitas vezes dúvidas entre as corredoras, nomeadamente aquelas com pouca experiência na arte de correr.

AS MENSTRUÇÕES ABUNDANTES PROVOCAM FACILMENTE ESTADOS CRÓNICOS DE ANEMIA?

Evidentemente que as mulheres nestas condições podem desenvolver uma anemia de tipo ferropénico, isto é, excesso de corrimento sanguíneo nas fases do período. O que se aconselha em tais circunstancias é sempre uma visita ao médico para se verificar se há alguma causa para tais excessos. Regra geral, os estados anémicos acontecem quando a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue é inferior aos parâmetros normais, ou ainda, quando a concentração de hemoglobina no sangue é baixa devido ao excesso de quilómetros percorridos nas sessões de treino. Evidentemente, o que acontece é uma redução na quantidade de oxigénio nas células, pois a hemoglobina não consegue transportar o oxigénio em volume suficiente para o trabalho muscular.

Em termos práticos, a atleta, apesar de manter boa assiduidade aos treinos, verifica que o seu rendimento atlético não melhora ou até diminui por vezes drásticamente.

Há também que chamar a atenção para um pormenor: na maioria dos casos de estado de anemia, as atletas “não dão” pela causa e pensam que a falta de rendimento competitivo é devido a outras razões, tais como a má programação dos treinos e a deficiência disto ou daquilo, quando, na realidade, o que lhe retira a “força” é algo que, ciclicamente, acontece todos os meses. No fim, é como houvesse sempre uma redução de potencial atlético síclico.

Perante esta realidade, a corredora deve estar atenta aos seguintes sinais: irritabilidade, dores de cabeça, dificuldade respiratória, eventuais náuseas, vertigens e debilidade geral. Noutros casos, podem acontecer ciclos mestruais irregulares ou até mesmo ausência deles. O ideal é que a atleta, sobretudo se segue programas de teino competitivo, tenha o cuidado de efetuar análises laboratoriais ao sangue, para verificar se há algum défíce ao nível dos parâmetros mobilizadores da fixação do ferro.

UM SUBITO AUMENTO DA QUILOMETRAGEM SEMANAL IMPLICA A PERDA DE CICLOS MENSTRUAIS?

São vários os estudos a confirmar que, ao nível das corredoras de alto rendimentro atlético, os ciclos menstruais são muito irregulares ou quase inexistentes. As razões destas “deficiências” estão diretamente relacionadas com as enormes cargas de volume de treino que utilizam para 0 seu aperfeiçoamente físico específico. Entre as maratonistas isto é, digamos, comum, quase diríamos normal, mas também bastará reduzir a quantidade de quilómetros para, de forma progressiva, tudo voltar aos parâmetros normais das mulheres sedentárias.

Perante estas irregularidades, o que aconselhamos é nada fazer e apenas verificar siclicamente as análises sanguíneas junto do seu médico.

Evidentemente que a inclusão de cápsulas à base de suplementos ferrosos deverá ser sempre um dos caminhos a seguir por qualquer corredora, quer seja de nível olímpico ou simples praticante de fim de semana”.

Alguns médicos especializados em Medicina Desportiva costumam receitar anticoncepcionais, na tentativa de regularizar os ciclos. Enfim, é algo mais para que a corrida seja mais agradável para nós.

AO REDUZIR O PESO, A DESPORTISTA OCASIONAL DESREGULARIZAR OS CICLOS?

PODE

De facto, isto assume maior frequência do que se pensa. A desportista ocasional que começa a correr com o principal objetivo de reduzir o seu peso, pode ficar com os níveis menstruais ligeiramente alterados. 0 emagrecimento “apenas com a corrida” é algo muito problemático, mas se se verificar perdas repentinas de peso, então, a “defesa” do organismo é atuar nos ciclos menstruais. A consulta ao ginecologista é via a seguir, embora sem grandes dramatismos, pois a causa sabe-se qual é: a perda brusca de peso.

Aliás no capítulo das dietas para redução do peso, todos os cuidados são poucos pois há muita publicidade enganosa nestas áreas…

… E SE NO DIA DA COMPETIÇÃO ESTAMOS MENSTRUADAS?

Pois é, o calendário das provas, de grande ou pequena relevancia, é marcado com vários meses de antecedência e quando, estatisticamente, se sabe que, hoje em dia, a maioria das grandes competições pedestres regista uma percentagem de senhoras entre os 15 e os 40%, é fácil concluir que algumas destas corredoras irão alinhar precisamente no dia em que estão menstruadas.

Treinou-se durante meses a pensar em determinado evento, com um objectivo bem preciso e… no dia em que devíamos estar a 100%, estamos, sob o ponto de vista percentual, debilitadas com grandes ou pequenas perdas

Como fazer nestas situações?. Não participar na prova?

Alinhar na partida e saber de antemão que não podemos render o máximo?

A solução que as atletas de alta competição utilizam (aquelas que têm períodos regulares…) é “jogar” no adiantamento do período mediante a aplicação de comprimidos anticoncecionais. A solução resulta na maioria dos casos, mas o conselho que damos às nossas colegas corredoras é que exponham a situação com clareza ao ginecologista, o que permitirá evitar-se qualquer erro de amador.

COM OU SEM PERÍODO… NADA A ASSINALAR!

Na maior parte das mulheres de boa saúde, as regras duram entre 3 e 6 dias e o ritmo menstrual é de 28 dias. Porém, a abundância de perdas de líquidos e a sua periodicidade podem variar ligeiramente de mulher para mulher. Há quem tenha o dia mais negativo no primeiro dia da menstruação, enquanto noutros casos pode existir um prolongamento de 3 ou 4 dias. Outras mulheres poderão passar pelo ciclo sem qualquer anomalidade fisica ou psiquica a assinalar.

Para uma desportista com algum tempo de prática da corrida, a tendência será para que tudo aconteça sem “grandes ondas”, já que a sua capacidade de adaptação orgânica é superior à das senhoras sedentárias. Aliás, um estudo levado a cabo pelos promotores da Maratona de Nova Iorque (prova que este ano registou a fantástica percentagem de 40% de mulheres a atingirem a meta!), revelou que 63% das participantes que competiram em ciclo menstrual não mencionaram qualquer debilidade física devido à coincidência de datas.

Daí a conclusão de que a menstruação, para a maioria das corredoras, apenas será um ligeiro incómodo de horas, pois a adaptação do organismo aos esforços prolongados faz-se gradualmente, e até podemos afirmar que acaba por normalizar a vida íntima da mulher que corre.

Temas relacionadas com a prática da corrida por senhoras, publicados nos seguintes números: 167- Quantos Mais KmMenos Apetite Sexual! 181 A Corrida e o SexoTalvez Uma Questão de Dose 

195Diferenças no Coração Entre o Homem e a Mulher 

203Correr Durante a Gravidez 213Os Tabús do Sexo e a Corrida 214Diferenças Entre Corredores e Corredoras.

EM 2012 NOS JOGOS DE LONDRES

7% DOS ATLETAS UTILIZARAM MEDICAMENTOS PARA TRATAMENTO DA ASMA, APESAR DE APENAS 1% DA POPULAÇÃO MUNDIAL SOFRER DE TAL DOENÇA. SERÁ QUE OS CAMPEÕES ESTÃO MAIS SUJEITOS A SOFREREM DE ASMA OU O TOMAREM MEDICAMENTOS PARA ESSA EVENTUAL DOENÇA TRÁS ALGO

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