A Espanha é uma das maiores potências do Trail Running internacional. Isso não é novidade para ninguém, são diversos campeonatos mundiais por equipas e alguns dos maiores corredores do mundo.
Na esteira de grandes resultados vem sempre um grande trabalho sendo feito nos bastidores, principalmente de estudos, pesquisas e estrutura para que os atletas tenham os seus desempenhos entendidas e melhoradas para próximas edições.

Pensando em obter mais dados para determinar quais os fatores que levam a uma vitória entre homens e mulheres, analisar a diferença fisiológica entre os dois sexos e comparar as mudanças genéticas que podem influenciar em cada sexo é que três grandes entidades espanholas se uniram ( Universitat Jaume I de Castelló, o Hospital Vithas Nisa 9 de Octubre e o Club Esportiu Marató i Mitja Castelló Penyagolosa)

O estudo foi realizado antes, durante e após a Penyagolosa Trails® CSP uma prova de 108Km e 5600 D+. Foram pesquisados 30 homens e 30 mulheres que concluíram essa prova.

Publicidade

Os resultados são os seguintes:

1) Os telómeros ( são estruturas constituídas por fileiras repetitivas de proteínas e DNA não codificante que formam as extremidades dos cromossomos. A sua principal função é impedir o desgaste do material genético e manter a estabilidade estrutural do cromossomo) de corredores de ultra trail são diferentes dos de pessoas sedentárias. Eles retardam o envelhecimento celular.

2) Homens e mulheres têm níveis praticamente iguais de dano muscular após a conclusão da prova. Porém, as mulheres têm uma perceção de dor muscular inferior comparada aos homens (percepção subjetiva de dor).

3) 24 horas após o término da prova, mulheres têm uma percepção de dor muito próximo do que o de antes de iniciar a prova. Mas, homens permanecem com uma percepção de dor superior.

4) O principal resultado positivo para os homens é que eles conseguem sustentar mais tempo uma intensidade de aproximadamente 85% do Vo2Máx. As mulheres distribuem a intensidade de outra forma.

5) As câimbras foram associadas ao dano muscular, pois estavam com os níveis de dano significativamente maiores na chegada e após 24 horas.

Não foi encontrada associação com desidratação ou perda eletrolítica.

6) O desempenho na prova foi relacionado a variáveis já conhecidas como maior VO2Máx, Velocidade no segundo limiar e oxidação de gorduras. Além dos níveis de força muscular.

7) Homens têm esses níveis superiores ao das mulheres em todas as variáveis citadas anteriormente.

Esse tipo de estudo é fundamental para entendermos os fatores que levam os atletas a ganhar uma prova, assim é possível focar o treino nos fatores que, realmente, fazem diferença. Quanto mais entendermos os nossos atletas e como funcionam as variáveis fisiológicas melhor será o trabalho para melhorar o desempenho.

*Esse estudo ainda não foi publicado na íntegra. Esses resultados foram tirados em entrevistas e notícias dadas pelos próprios autores em diversos sites da internet.