A mente e o desempenho

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A modificação do comportamento tem uma longa história, não inteiramente saborosa. O seu benefício clínico em corrigir problemas psicológicos é considerável, mas possui um lado negro, exemplificado pela lavagem cerebral. O facto é que ela funciona, pois o treino da mente é possível.

Na realidade, aqueles envolvidos com o treino de atletas no antigo bloco dos países do Leste, há muito reconheceram este potencial. Motivação desportiva como algumas vezes é conhecida, é tanto uma arte quanto uma ciência, mas o seu realce como ciência é maior: ela envolve certamente muito mais do que uma conversa motivadora forneci da pelo treinador, imediatamente antes do evento. Para ser benéfica, ela deve começar no início da vida de um atleta e continuar ao longo de toda a sua carreira desportiva.

A mentalidade do sucesso

A forma mais directa de encontrar quais os atributos mentais que levam ao sucesso desportivo, é perguntar aos atletas de sucesso. Foi isso precisamente o que fez o Dr. Brent Rushall, produzindo uma lista de importantes atributos mentais para os atletas de elite. Eles são indicados abaixo, acompanhados dos nossos comentários.

A concentração numa competição específica capacita o treinador e o atleta a alcançarem o pico da condição física e mental para um evento em particular. Pode muito bem haver um pico de condição, mesmo quando o treino é mantido ou diminuído, de forma que a adequação do tempo é de fundamental importância, e esta adequação do tempo pode ser importante para diferentes atletas.

O treino intensivo imediatamente antes da competição é contra produtivo. Antes do evento é necessário  período de “descanso e reflexão” de dois e quatro dias (e em alguns casos ainda mais). Durante este período, o controle dos níveis de prontidão por técnicas de relaxamento e ensaio mental ao invés da preparação física deve capacitar o desempenho em competição para exceder aquele do treino.

  • Confiança para o desempenho que se espera.
  • A capacidade de julgar adequadamente o desempenho em competição.

A confiança vem do conhecimento de que terá feito tudo correcto – treino, pico, repouso, alimentação e ensaio mental- e de saber, por registros minuciosos e diários, que não se encontra num excesso de treino. Entender o que está a acontecer com o seu corpo ajuda muito no treino e na competição, devendo fornecer um aumento de confiança.

Adoptar o ritmo certo é essencial; com uma partida muito rápida, o metabolismo anaeróbio traz problemas que não podem ser resolvidos no ritmo da corrida. Apenas por meio do treino adequado, o corredor desenvolve um julgamento preciso do tempo e da distância.

A estratégia vence a corrida, mas ela deve ser a correcta, aplicada no “calor do momento” e adaptada se as circunstâncias mudarem.

A aplicação da estratégia envolve ensaios mentais extensivos antes da corrida, para evitar a ansiedade ao tomar decisões durante a corrida.

Ser capaz de modificar a estratégia envolve não apenas a interpretação do comportamento de outros competidores, mas também a interpretação correcta do metabolismo e de sinais fisiológicos que o atleta recebe do seu próprio corpo durante a corrida.

  • Pequenas distracções ou problemas que surgem antes da competição não incomodam o atleta.
  • Conhecimento do que fazer e retomar a compostura se ela for perdida antes da competição.
  • Conhecimento de como superar a excitação excessiva antes da competição.
  • Conhecimento de como reconquistar a confiança, se ela for perdida.

Áreas competitivas que não são familiares não perturbam o atleta.

  • A capacidade de lidar com circunstâncias não comuns e distrações.

Ser capaz de relaxar antes e durante a corrida previne que os níveis de hormonas de stress aumentem demais e perturbem o equilíbrio entre o metabolismo de gorduras e carbohidratos para prejuízo do desempenho.

  • Outros competidores não perturbem o atleta antes da competição.

A melhor forma de ignorar os outros competidores é ter a certeza de que está bem preparado e sabe como relaxar e ainda concentrar-se no evento.

O aquecimento é uma técnica que por si só, exige um ensaio da estratégia e um mínimo de interferência. Mas se o atleta sente que a presença do técnico é importante, ele deve estar presente.

Lembre-se de que um período completo de repouso (de 10 a 15 minutos) após o aquecimento e antes do evento, pode ser muito importante para alguns atletas.

  • Níveis controlados de nervosismo e tensão no inicio da competição.

Manter uma baixa concentração das hormonas de stress é importante para a maioria dos atletas, ainda que menos para o velocista.

 

É interessante notar que muitos destes pontos foram seguidos por Roger Bannister na sua preparação para o esforço da barreira dos quatro minutos na milha em 1954. Ele treinou minimamente, evitando assim o excesso de treino. Teve cinco dias de descanso antes do evento;

diminuiu a tensão durante o dia trabalhando e visitando amigos em Oxford; o seu treinador esteve presente no dia para lhe dar confiança e mesmo para ordenar que Bannister relaxasse durante a corrida.

Em contraste na maratona de 1952, na Olimpíada de Helsinquia, Jim Peters foi vencido por Zatopek apesar do facto de Peters ter seis semanas antes batido o recorde mundial em mais de 4rn30s (2h20m42s) e, antes da maratona, Zatopek ter corrido nas provas de 5 e 10 quilómetros, tendo-as vencido.

A equipa britânica teve de viajar para Helsínquia não num voo fretado mas num avião de transporte. O voo demorou nove horas e durante ele, o avião foi atingido por um raio.

Peters chegou com uma sensação de enjoo, mole e com dor de cabeça

– dificilmente um estado para fornecer confiança ou permitir relaxamento antes do seu grande evento!

In “(onida Ciência do Treinamento e desempenho” Eric Newsho!me, Tony Leech e G!enda Duester