Cada treino é uma forma de stress que impomos ao corpo tendo como objetivo obter uma resposta: o que procuramos é melhorar a capacidade de suportar esse tipo de stress.

Quase todos os estudos científicos são feitos na parte ativa do treino e raramente na parte passiva: a recuperação. Apesar de pouco apreciada, principalmente a nível amador, a recuperação é parte integrante do processo de treinos e é nessa fase que ocorrem as principais adaptações estimuladas pelo exercício físico. Seguramente é um dos aspetos que ainda precisa de perceções importantes que nos ajudarão a compreendê-lo e, sobretudo, a utilizá-lo melhor.

Se há alguns anos cada treinador concentrava o seu trabalho na carga de treino escolhendo entre o volume e a intensidade, atualmente devemos também dar importância à quantidade e qualidade da recuperação. Sem isso, de facto, o risco de sobrecarga e depois de overtraining será muito alto. Ao contrário do que se pensa, é perigoso principalmente para o atleta amador que soma ao stress do treino, o stress do trabalho, da vida social, familiar e etc. Quanto melhor for a gestão da recuperação, maiores serão os benefícios em termos de desempenho.

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Podemos atribuir à recuperação vários significados:

 -Num único treino ao alternar com fases ativas, dando a oportunidade de recarregar as energias antes da próxima repetição.

– Entre um treino e outro, qual será o tema abordado neste post.

– No âmbito da periodização de um programa de treino em que se alternam semanas de carga com semanas de descarga (ou recuperação ativa) ou, num sentido mais lato, quando no final da época se insere um período de descarga total que pode durar até algumas semanas. Esta parte da época é essencial para recuperar as energias psicofísicas entre uma época e a seguinte.

O treino é um processo educacional e cognitivo no qual devemos aprender a conhecer o nosso potencial, mas também os nossos limites. O limite não deve ser considerado como um teto para o nosso desempenho, mas também como sua necessidade de recuperação entre um esforço e outro para poder oferecer novamente um desempenho adequado. Se treinam sozinhos, esta análise diária ajudará a entender qual é a medida correta de recuperação para cada um. Sendo este aspeto, como todos os outros em treino, muito subjetivo.

Depende sempre do nível de preparação, idade, volume e intensidade do treino individual que fazem, daqueles que o precederam e os que se seguirão. É mais difícil do que o que pensam. Uma medida indicativa pode ser sua capacidade de completar treinos com fadiga relacionada à intensidade. Quando muitas vezes achamos que temos dificuldade para terminar os treinos ou que os terminamos com extrema dificuldade, mesmo que a carga objetiva não seja alta, significa que não devemos diminuir a carga ou aumentar a recuperação.

A sucessão correta e contínua de estímulos e recuperações leva a um aumento do nível geral de aptidão física e, portanto, de desempenho. É muito importante que haja tempo suficiente entre um estímulo (treino) e outro para que o corpo implemente a adaptação necessária. Insistir em treinar todos os dias para ganhar força e sem nunca ouvir os sinais de fadiga que o corpo envia pode causar-nos mais mal do que bem.

 

Por Paolo Barbera