Amenorreia em atletas: tudo sobre alteração menstrual em quem treina.

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As mulheres iniciaram as suas participações em competições desportivas em 1912, nas Olimpíadas de Estocolmo. Desde então, uma discussão a respeito das consequências na saúde das atletas se iniciou e muito foi compreendido, especialmente quanto à amenorreia (ausência de menstruação) em atletas. Entenda:

Amenorreia em atletas: por que ocorre?
Em 1992, foi descrita a “Female Athete Triad”, doença caracterizada pela tríade de nutrição inadequada, amenorreia e osteoporose. No entanto, hoje essa condição é ligada a menor disponibilidade energética associada ou não aos distúrbios alimentares, disfunção menstrual e alterações na densidade mineral óssea.
Em 2014, o Comitê Olímpico Internacional (COI) introduziu um termo mais amplo: síndrome da deficiência energética relativa ao desporto (RED-S).
A diminuição de disponibilidade energética ocorre por um balanço calórico negativo, o qual  acontece quando a ingestão calórica não é suficiente em relação ao gasto energético diário, o que normalmente acontece por mudanças em hábitos alimentares, como o veganismo (sem acompanhamento nutricional adequado), dietas restritivas, uso de estimulantes e anabolizantes, laxativos ou excesso de atividade.
Fonte: Ricardo Luba – Ginecologista
Esse balanço energético negativo resulta em alterações na libertação da hormona reguladora da produção das hormonas sexuais (GNRH), que leva à diminuição dos níveis estrogénios, o que causa, alterações nos ciclos menstruais e diminuição de massa óssea.
Problema na adolescência é ainda mais preocupante
Durante a adolescência, o diagnóstico tem importância ainda maior, pois não se sabe a repercussão a longo prazo.
As principais queixas menstruais incluem a amenorreia, oligomenorreia (aumento dos intervalos entre os ciclos para mais de 35 dias), problemas ovulatórios e infertilidade (dificuldade de engravidar por período maior de um ano). A alteração na produção e libertação do GNRH pode afetar a produção da hormona luteinizante (LH- um dos responsáveis pela ovulação) e do estrogénio, além de alterar a produção de insulina, hormona de crescimento (GH) e a leptina (hormônio importante na puberdade).
A diminuição de massa óssea pode levar a um desenvolvimento anormal do osso, deformidades, além da osteopenia e da osteoporose — condições em que há perda de massa óssea e aumento do risco de fraturas, especialmente na menopausa.
Estima-se que a amenorreia ocorra em 5 a 20% das mulheres que treinam em alta intensidade e em até 40 a 50% das corredoras de elite.
Os profissionais envolvidos no atendimento dessas atletas (médicos, nutricionistas, técnicos, treinadores, psicólogos) devem estar aptos a identificar de maneira precoce e intervir de maneira adequada no quadro. No entanto, sabe-se que poucos desses profissionais têm conhecimento suficiente a respeito da RED-S.
O tratamento normalmente é multidisciplinar e tem como base a adequação do balanço energético e do ritmo menstrual, o que não deve ser feito em hipótese alguma com medicamentos hormonais. O uso de anticoncecionais hormonais pode atrapalhar o diagnóstico, dando uma falsa sensação de normalidade.
Se  identificar algum sintoma descrito anteriormente, procure o seu ginecologista para uma avaliação adequada.