Nas últimas décadas assiste-se a um aumento significativo do número de pessoas com excesso de peso e obesidade. Em Portugal, os números demonstram que a prevalência desta doença é superior à média mundial, sendo mais frequente em mulheres e idosos. E o aumento de casos entre crianças constitui uma preocupação de saúde pública. Mas, afinal, quais são as causas da obesidade? Está relacionada apenas com questões alimentares?

A obesidade é uma doença crónica que se caracteriza pela acumulação excessiva de gordura corporal, ao ponto de ter um impacto negativo na saúde. O excesso de peso reflete o mesmo problema, embora com menor gravidade.

Como é feito o diagnóstico de obesidade?

O diagnóstico e gravidade são feitos com recurso ao cálculo do índice de massa corporal (IMC), que se calcula pela divisão do peso (em kg) pela estatura em metros elevado ao quadrado. Ou seja, o excesso de peso é diagnosticado quando o IMC é superior a 25kg/m2 e a obesidade quando o IMC é superior a 30kg/m2.

A obesidade em Portugal

Nas últimas décadas assiste-se a um aumento significativo do número de pessoas com excesso de peso e obesidade, sendo considerada por muitos, a verdadeira pandemia do século XXI.

A prevalência de obesidade em Portugal é superior à média mundial (22.3% vs 13%) e é mais frequente em mulheres e em idosos. O atingimento crescente das crianças (7.7%) constitui uma preocupação de saúde pública.

Quais são as causas da obesidade? Está relacionada apenas com questões alimentares?

Esta crescente incidência é justificada por fatores ambientais, tais como a redução da atividade física, resultante do estilo de vida moderno que promove uma elevada carga laboral sedentária (teletrabalho, por exemplo) e atividade lúdica pouco ativa, bem como alimentação pouco diversificada e desequilibrada, com elevada densidade energética. Importa salientar a relevante contribuição de fatores genéticos e endócrinos para a obesidade.

O conceito de que a obesidade resulta exclusivamente de aporte calórico excessivo aliado a um dispêndio energético deficitário está ultrapassado e não tem sustento científico. Trata-se de uma crença enraizada na sociedade, que favorece a estigmatização e discriminação.

A obesidade não é uma escolha

O facto de muitas pessoas e profissionais de saúde não reconhecerem a obesidade com uma doença, mas como uma escolha/opção pessoal e fruto de desleixo, faz com que muitas pessoas com obesidade não procurem ajuda médica e não recebam o tratamento adequado. Assim, a avaliação médica é essencial e necessariamente multidisciplinar, devendo incluir pelo menos o médico (Endocrinologia e Medicina Geral e Familiar) e o nutricionista.

Qual é o tratamento?

 

A avaliação inicial será centrada na avaliação de potenciais causas da obesidade (doenças endócrinas, hábitos alimentares, sedentarismo, doenças genéticas, medicação, entre outros) e suas consequências. O seu tratamento visa essencialmente melhorar a qualidade de vida e prevenir doenças causadas pela obesidade, tais como a Diabetes Mellitus, pressão arterial alta, colesterol elevado, cancro, doença cardiovascular, apneia do sono, doença articular, incontinência urinária, entre outras.

Após a investigação inicial, é proposto um plano alimentar e de atividade física individualizado (com possível apoio do fisiologista da atividade física).

Estão disponíveis medicamentos seguros para o tratamento da obesidade, tais como o liraglutido, bupropion-naltrexona e orlistat. A sua prescrição deve ser individualizada, tendo em conta os problemas de saúde e perfil da pessoa, observando-se uma elevada variabilidade em termos de eficácia.

Apesar da cirurgia metabólica (banda, bypass e sleeve gástricos) ser atualmente o tratamento mais eficaz para a obesidade, este não está isento de riscos. Para a maximização da sua segurança e eficácia, exige-se uma avaliação e acompanhamento multidisciplinar (Endocrinologia, Nutrição, Psicologia e Cirurgia) antes e depois da cirurgia. Salienta-se que a cirurgia não cura a obesidade, havendo frequentemente alguma recuperação do peso perdido, sobretudo quando a avaliação pré-operatória foi inadequada e quando há abandono do acompanhamento multidisciplinar no pós-operatório.

A obesidade é uma doença. Não se desleixe e trate-se. Há múltiplas soluções para o seu caso.

fonte https://www.simplyflow.pt/